Thursday, October 19, 2006

FORA DE CONCURSO - DEDOS APAIXONADOS




















Dedos Apaixonados, por JN (BLOGUE OS DEDOS).

Wednesday, October 18, 2006

1 PREMIO ROSA CUECA - TERESA CASTRO

Na Aorta Da Cidade

O metro engoliu-a. Após noite mal dormida, dera pela falta do café. Compensou a omissa fonte de energia matinal com saltos que dessem ao corpo que fazer. A miudeza da chuva era verniz fino nas escadas e plataforma, desencontrando a gravidade dos saltos – “Parva! Num dia assim lembrei-me deles!” Na aorta da cidade, os morcegos do costume.
No comboio sentou o rabo estafado. Abriu a mala, caçou lápis e sudoku –entretém como borracha da cigana desdentada, da mulher das mamas enrugadas, dos leitões de fato e gravata. Mortos-vivos, todos. “Os números são uma gaita! Empancam, mas até Arroios caço alguns.” Esbarrou no dois. Olhou a janela. O vidro reflectia rabo incomum – redondo e alto. Atentou - por detrás nada mal, pela frente seria morcego como os demais? Imóvel o nadegueiro, voltou ao dois. Ouviu: “no canto esquerdo.” Levantou os olhos, certa de vir do nadegueiro o conselho. Aliviou o rosto, endireitou pernas e saltos – “não pense ele que só sirvo para sudokus!” Nova dica, o homem de sudoku percebia, e saíram na paragem dela. Dele também? Jurava o não, e honrou o par de nádegas cuja frente condizia.
Cafés, dois almoços e um jantar depois, mais havia a uni-los. Além da conversa boa, houvera toques casuais de polimento e carinho. Mais nada. Por esse tempo, perguntava se o nadegueiro preferia os pares às acolhedoras ancas de uma mulher. “Que se lixe, exijo provas.” Era sábado e veria. Escondeu pilhas de roupa, aspirou, esfregou. A casa num primor e ela esbodegada - “visita de nadegueiro é pior que de mãe!” Marinou no banho, afagou com creme a pele. Ao espelho premiu as molezas - “de pudim, ora bolas! Se encolho a barriga, o rabo é memória. E as mamas? Empino? Nope, volta a barriga. OK, sutiã almofadado, collants que sobem o rabo e apagam barriga. Raios! E se me despe em pé? Cai tudo: roupa, mamas e rabo. Ora, apago luzes... Velas, é isso! Ah, e prendo com fita-cola os interruptores.”
Fosse a química dos corpos ou dos copos, enrolaram-se. Lábios sedentos, dedos mapeando ocultos apetecidos. O nadegueiro, até à cama, eliminou o supérfluo. Suspiros, gemidos e urros passados, a vigília derrotou o sono. As velas ele pensou-as românticas, a fita-cola não deu por ela, nem do que com a nudez caíra. Sussurraram tolices. Ele não saiu, ela desejou-o ali. Ainda riam ia alta a madrugada e as peles coladas. Desafiaram-se. Começaram como acabaram – num jogo de sudoku onde fugia o dois.

Posted by Tati (BLOGUE SEM PENIS NEM INVEJA)

2 PREMIO - Ana Clotilde Correia

SAPATINHOS DE PLUMAS

Ainda não sei de te amo. Não houve tempo para isso. Passámos das
apresentações directamente para a aceleração dos batimentos cardíacos
e daí, cheios de medo, para encontros em aeroportos, gares de comboios
e restaurantes refundidos. Houve também o apartamento de solteiro com
sofás de pele preta e serigrafias do Siza que nunca cheguei a perceber
a quem pertencia. Sempre a correr. Não havia tempo e não haver tempo
era bom para não saber se te amava. Sabes, podíamos ter tido um
bocadinho mais de calma. Mesmo que eu soubesse que te amava, descansa
que continuaria a não te pedir nada. Só queria antever os nossos
encontros a tempo de ir ao cabeleireiro, fazer as unhas, ter os pêlos
em ordem e correr os olhos por uns possíveis brincos novos. Nunca tive
esse privilégio e nem esse reclamei. Como vês, não corrias o risco que
te pedisse nada.
Baralhei com alegria o novelo da minha vidinha para estar contigo.
Passei a ter uma vida em vez de uma vidinha, mas ninguém sabia. E eu
era ainda mais feliz por ninguém saber. Quando caíste em cima da tua
moral, deixaste de vir a Lisboa, de ter tempo ou de me quereres aturar
- nunca percebi bem - cresci muito como pessoa, aprendi imensas
coisas, tantas que poderia ter escrito um livro de auto-ajuda. Não
escrevi porque depois de tudo o que sei, o que reflecti, o que mudei,
continuava a não trocar qualquer serenidade calçada de chinelinhos de
quarto por aqueles dias. Poderia não ter grande vocação para amante,
mas era competente.
Esta existência mais equilibrada que agora levo, devo-a a também ti.
Mas não a quero. Os homens com quem namorei, com quem vou jantar, com
quem converso e ocasionalmente me deito, são muito melhores que tu.
Temos afinidades e com um, terei, eventualmente, uns chinelinhos de
quarto a condizer. Mas não tenho o resto. E também não tenho o amor
que contigo não sei se tive. Hoje só me arrependo que, nas compras
furiosas daqueles tempos, não tivesse comprado uns sapatinhos com
plumas. Daqueles que estão pouco tempo calçados. Que se tiram à beira
dos lençóis. Daqueles que nunca chamarei de chinelos. Em preto.
Posted by Margot (BLOGUE FOLHOS E CONFETTIS)

3 PREMIO - ANA PROENÇA

Não falo do amor de mãe, nem do de filha. Não falo do amor aos bichos ou do amor à vida, ou mesmo do de amiga.

Falo do amor-amor, o de sempre.

Daquele amor que encontras quando já passou a paixão, que confundes com carinho ou com habituação.

Falo do amor que esperas ser para sempre.

O Amor que queres seguro, mas ousado.

Aquele que tens como garantido e te deslembras de alimentar. Ah mas se te falta, nem consegues respirar!

Pensas ocasionalmente que está velho, está gasto.

Mas, olha bem menina – olha a extravagância que engrandece a tua vida.

È uma raridade porra!

A triliões de anos-luz dessas atracções repentinas, dessas químicas que nos fazem estremecer, novidades que ofuscam com um brilho tão efémero, que num ápice se torna fosco, triste, e só, e que afinal não existe.

O amor faz-nos vaidosas, airosas, pirosas!

Olha que palavras ridículas, como diria o nosso querido Álvaro.

Olha como ficamos sumarentas, deliciosas!

O amor é chocolate com pimenta.

O amor é comprazer, é prioridade, e a alma nos alimenta.

A falta dele…

Oh pá, que despropósito! Merda para o Amor!

Esse maldito que nos arruína sem pudor!

Que raio de sentimento é esse que se pavoneia, altivo e arrogante e no entanto, como se isso pudesse ser, lá consegue amanhar forma de sobreviver e acompanhar com a dor.

Que nos deixa deprimidas, secas, recalcadas!!!

Que se lixe! Abaixo a pieguice!

Quem é que acredita em contos de fodas? Perdoem-me, fadas, era fadas!

Venham os “amores” de uma noite só. As declarações da tanga. Confessem-se subversões aos que nos passam, aos que não ficam, aos que não sabem.

Vivam as palpitações, vibrações, correnteza de euforias.

Venham dias sem contratos, sem promessas.

Venha a vida como ela é, sejamos auto-irónicos, gozemos este senão.

Estamos vivas, e se não temos amor-amor – o de sempre, temos paixão, temos tesão, temos amor ao cão!

Posted by Nani (BLOGUE TRIVIAL)



I CONCURSO ROSA-CUECA DE POSTS DE AMOR (OU DA FALTA DELE)



O Blogue, a Rititi e o Mundo Rosa-Cueca convocam o “1º Concurso Rosa-Cueca de Posts de Amor (ou da falta dele)” dirigido à blogosfera e os seus utilizadores. Pretende-se destacar a originalidade e engenho num tema tão batido como o amor, essa seca que nos encolhe a alma e nos faz chorar com os anúncios de pensos higiénicos.

Bases do Concurso

1 - Este concurso está dirigido aos utilizadores da blogosfera (leitor, comentador, blogueiro, viciado no sitemeter, amigo ou fã da autora do blogue), pelo que os trabalhos deverão ter formato de post. Nesse sentido, aceitam-se todos os suportes que permita o sistema de publicação blogger.com.
2 – Os trabalhos enviados deverão ser originais e inéditos, com um máximo de 2.000 caracteres em caso de trabalho escrito e 1 minuto de duração nas obras cujo suporte seja áudio ou vídeo. Aceita-se um único trabalho por participante.
3 - O Júri estará composto pela única autora deste blogue: euzinha, que premiará um único trabalho com o “Prémio Rosa-Cueca de Posts de Amor (ou da falta dele) 2006”.
4 - O tema dos trabalhos deverá ser “Posts de Amor (ou da falta dele)”. Serão eliminadas do concurso todas as aquelas obras que não respeitem este tema assim como as que visem a calúnia, ofensa, má onda ou a falta de educação.
5 - Os trabalhos deverão ser enviados para o correio electrónico
rititi@gmail.com com o assunto “I CONCURSO ROSA-CUECA DE POSTS DE AMOR (OU DA FALTA DELE)” até às 22.00 horas de dia 10 de Outubro de 2006. O Júri reserva-se o direito a publicar num blogue criado para o efeito os trabalhos apresentados a concurso.
6 - O vencedor único do concurso será anunciado dia 16 de Outubro, assim como os três finalistas.
7 – O PRÉMIO: T-SHIRT “PORQUE HAY QUE TENERLOS” E A HONRA DE VENCER ESTE MAGNÍFICO CONCURSO (ou achavam que era dinheiro?)
8 - O envio de trabalhos e a participação neste concurso implica a aceitação destas Bases.